Comigo e com outros
Ser sábio nas relações interpessoais começa primeiro no nosso íntimo.
1.
Existe alguém que está sempre presente, nos incomodando, colocando para baixo, tirando nossa paz e nos desestabilizando. Onde quer que chegue, esse alguém desestabiliza ele e, por vezes, os outros ao seu redor. É o que chamamos de pessoas tóxicas, que contaminam o ambiente com coisas ruins. Esse alguém pode ser outra pessoa, mas também, pode ser eu mesmo. E agora, o que eu faço? O Espírito Santo nos ajuda. Vamos ao texto de Gálatas 5.22-23 ver o que Paulo nos diz.
Mas o Espírito produz este fruto: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Não há lei contra essas coisas!

2.
Ao contrário das demais cartas paulinas, a carta aos Gálatas não foi endereçada para uma comunidade específica, mas sim para um grupo de comunidades na região da Galácia. Essa região de assentamento de tribos celtas (galáticas) encontrava-se no centro da Ásia Menor, ao redor de Ancira, atual Ancara. Paulo passara por ali no início de sua segunda e terceira viagem missionária. Os destinatários eram cristãos de origem gentia, com certa formação helenística. Podemos afirmar isso dada a linguagem mais erudita da carta.
O motivo da carta é a inserção de missionários judaizantes no meio da comunidade. Eles tiveram rápido sucesso em suas investidas, exigindo circuncisão e observância da Torá. Paulo os relembra de seus ensinos e combate tal influência. Gálatas tem muita proximidade teológica com Romanos. Tal proximidade nos faz colocar a data de sua escrita em 55d.C. A notícia da situação na Galácia chegou até Paulo num período de grandes conflitos. Ele havia saído de Éfeso após graves aflições e apressava-se em encontrar-se com Tito para saber sobre Corinto.
Paulo faz uso em sua carta dos elementos do antigo discurso do juízo para apoiar seus argumentos de que aderir aos ensinos dos judaizantes implica em renunciar a Cristo. Merece destaque um dos textos clássicos da carta, 5.13-26, sobre a liberdade dada por Cristo, que não pode ser pretexto para ceder aos desejos pessoais. A liberdade em Cristo pressupõe serviço mútuo em amor. Toda a lei é cumprida no mandamento do amor. Estamos sob a graça, não sob a lei:
Uma vez que vivemos pelo Espírito, sigamos a direção do Espírito em todas as áreas de nossa vida. (5.25)
3.
A Bíblia nos apresenta um princípio básico de vida. Ele está previsto na Lei, como em Deuteronômio 6.5 “Ame o SENHOR, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua força.”. Mas também é reafirmado por Jesus em Mateus 22.37-39 “‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’.”
Se quisermos agir com sabedoria para com o nosso próximo, precisamos, primeiro, agir com sabedoria conosco. Pensando nisso, a lista de nosso texto começa a ser olhada de forma diferente. Não é apenas usufruir dela para com os outros, mas, primeiro, comigo.
Se eu não me amo, não posso amar o próximo. Não é possível entregar o que não se tem. Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio não deixam de ser importantes nas nossas relações interpessoais, mas eles dizem respeito, de forma íntima, a quem desejamos ser pela ação do Espírito Santo.
4.
Ok, já entendi que preciso viver estes valores, mas o que faço com os outros? A partir do momento que amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio fazem parte de nossa essência, de nosso jeito de viver, fica natural, pois já o exercitamos conosco.
As relações andam cada vez mais superficiais. Isso não é um traço da modernidade, é uma realidade há tempos. As redes sociais apenas potencializaram o que já existia na realidade. Pessoas que são orgulhosas, egoístas e ingratas não conseguirão ser diferentes sem se submeterem ao Espírito Santo e serem transformadas. As pessoas que chamamos de tóxicas, em nossos dias, são difíceis e carecem de misericórdia.
Você não é obrigado a conviver com alguém que te faz mal, o evangelho nos liberta para sermos livres, inclusive, das amarras do pecado e de pessoas ruins. No entanto, é nosso dever orar e pedir para que elas, e nós, sejamos transformados.
O amor de Deus é capaz de transformar nossas relações. A começar em nós mesmos. O primeiro passo é se reconhecer e saber que Deus, pelo Espírito Santo, se move em nós, nos capacitando a sermos pessoas mais parecidas com Cristo.
5.
A dica é o filme História de um Casamento, com Adam Diver e Scarlett Johansson. Depois de muitos anos juntos, Nicole e Charlie assistem ao desmoronamento do seu casamento. Charlie é um diretor de teatro bem-sucedido, enquanto Nicole é uma atriz que abandonou sua carreira. Entre brigas e mágoas, eles tentam resgatar o que ainda existe da relação deles. Separa a pipoca e os lenços, vai precisar.
6.
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