Ebenézer
Samuel ora em favor do povo
Samuel ora em favor do povo
⁷Quando os governantes filisteus ouviram que os israelitas haviam se reunido em Mispá, mobilizaram seu exército e avançaram. Ao saber que os filisteus se aproximavam, os israelitas ficaram muito assustados. ⁸“Não pare de clamar ao Senhor, nosso Deus, para que ele nos salve dos filisteus!”, imploraram a Samuel. ⁹Então Samuel escolheu um cordeiro que ainda mamava e o ofereceu ao Senhor como holocausto. Suplicou ao Senhor em favor de Israel, e o Senhor o atendeu.
¹⁰Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus chegaram para atacar Israel. Naquele dia, porém, o Senhor falou do céu com voz poderosa de trovão, provocando pânico entre os filisteus, e eles foram derrotados diante dos israelitas.
1Samuel 7.7–10
O contexto dos acontecimentos de nosso texto é o conflito entre Israel e Filisteia que culminou com a perda da Arca da Aliança, o símbolo da presença de Javé com o povo. A Arca havia sido recuperada e agora, o povo era intimado a se arrepender e buscar os caminhos de Javé. Eles estavam reunidos em Mispá, ouvindo Samuel, o último dos juízes de Israel, os convidando ao arrependimento, quando chega a notícia de que os filisteus estavam a caminho para atacá-los.
Os filisteus habitavam a planície costeira da Palestina. Eles eram parte de um grande grupo de imigrantes marítimos que ocuparam a região por volta de 1200 a.C. e fundaram cinco cidades: Asdode, Ascalão, Ecrom, Gaza e Gate. Ao contrário que pensam algumas pessoas que fazem uso pejorativo do termo filisteu, eles não eram ignorantes ou simplórios. Eram politicamente organizados e tecnicamente avançados, o que refletia em seu poderio militar. Foram um dos primeiros povos a manejar bem o ferro e usá-lo como arma. Ao longo da história, foram inimigos constantes de Israel, no entanto, é curiosa a aliança deles com Davi, que depois viria a derrotá-los. É interessante apontar também como Javé usou os filisteus como disciplina na vida de Israel. Foi assim com a família de Eli e com Saul, por exemplo.
Não temos o texto da oração de Samuel, mas temos a oferta do sacrifício. Dado o contexto todo, é de se concluir que Samuel ofereceu sacrifício não como barganha, mas sim como pedido de perdão. Podemos assim concluir, pois, o povo se livraram dos deuses estrangeiros e se reuniram em Mispá para participarem da oração de Samuel a Javé. É nesse momento que a notícia do ataque dos filisteus chega e o sacrifício é oferecido. E a resposta de Javé ao sacrifício é estrondosa “o Senhor falou do céu com voz poderosa de trovão, provocando pânico entre os filisteus, e eles foram derrotados diante dos israelitas”. Não é a primeira vez que Javé causou pânico entre os inimigos de Israel. Em Êxodo 14.24 lemos que “pouco antes de amanhecer, do alto da coluna de fogo e de nuvem o Senhor olhou para o exército dos egípcios e causou grande confusão entre eles.”. Em Êxodo 23.27 registra “Enviarei pavor à sua frente e criarei pânico entre os povos cujas terras vocês invadirem. Farei todos os seus inimigos darem meia-volta e fugirem”. Josué 10.10 “O Senhor trouxe pânico sobre os amorreus, e o exército de Israel massacrou muitos deles em Gibeom. Perseguiram o inimigo ao longo da subida para Bete-Horom, matando os amorreus até Azeca e Maquedá”. E Juízes 4.15 “Quando Baraque atacou, o Senhor trouxe pânico sobre os carros de guerra e sobre os soldados de Sísera, que abandonou sua carruagem e fugiu a pé”. Uma amostra de como Javé move a natureza para que a justiça e a vida sejam preservadas.
O povo de Deus estava reunido em Mispá, para onde haviam ido por ordem de Samuel, que os convocara para que intercedesse perante Deus em favor do povo. Enquanto ainda estavam reunidos, ouvindo as sentenças de Samuel contra o povo, que andava distantes dos caminhos do Senhor, os filisteus souberam da reunião do povo e marcharam para Mispá. Ao ouvir que os filisteus estavam a caminho, todo o povo se voltou para Samuel e pediu-lhe que não parasse de clamar a Deus, para que este os libertasse das mãos dos filisteus. Samuel ofereceu sacrifício em holocausto ao Senhor e este atendeu a sua oração e clamor, libertando o povo do ataque dos filisteus. Após a vitória, Samuel pôs uma pedra entre Mispá em Jesana e a chamou de Ebenézer: até aqui nos ajudou o Senhor. Por vezes, em nossas vidas, nos vemos diante das consequências nada agradáveis de nossos pecados. Sabemos que nossos pecados nos afastam da vontade de Deus, porém, Deus não se afasta de nós e nem deixa de nos ouvir e de atender a nossa voz. Ele sempre está conosco. Onde quer que nós estejamos, seja qual for a situação, Ebenézer, até aqui nos ajudou o Senhor. Ele não nos desampara, não nos deixa à mercê de nossas circunstâncias. Ao orar, lembre-se que Deus nos ajuda e não nos desampara.
O presente texto foi escrito para a aula de Escola Dominical da Igreja Presbiteriana Independente de Tucuruvi, São Paulo, SP, em 6 de fevereiro de 2021



