Os Ptolomeus
Paz, prosperidade e o protagonismo de uma família poderosa
Alexandre não teve tempo suficiente para consolidar suas conquistas, ele morre repentinamente em 323 a.C. com apenas 33 anos, entregando seu reino ao caos. Os seus generais (os assim chamados diadoqui, palavra grega que significa sucessor) dividiram entre si os diversos territórios conquistados, fragmentando irremediavelmente o vasto império.¹
Com a morte de Alexandre, o Grande, precocemente em 323 a.C., aos 33 anos, os territórios conquistados são divididos entre seus generais, uma vez que ele não tinha sucessor direto. Começa então um momento de tensão e fragmentação na região. Três de seus generais se destacam pela extensão de seus territórios. Seleuco I Nicátor domina a região da Ásia Menor e a região Siro-babilônica. Antígono Monoftalmo assume a Macedônia e a Grécia. Ptolomeu I Sóter se apodera do Egito. Nesta divisão, Jerusalém está sob domínio dos selêucidas, mas por pouco tempo. Ptolomeu I Sóter não apenas dominou o Egito, mas fundou uma dinastia que se estenderia até 30 a.C.
Dez anos após a morte de Alexandre, o Grande, Ptolomeu conquista a Judeia e expande seu poder na região. Uma conquista não tão grandiosa, uma vez que os selêucidas estavam em expansão mais ao norte, dominando toda a Síria. Durante mais de um século a judeia permanecerá nas mãos dos Ptolomeus. Os historiadores gregos da época pouco falam sobre a Judeia e seu povo. Sinal de que a região era irrelevante para a época. Geograficamente isolada e política e economicamente sem atrativos para os soberanos gregos. É o Egito, nas mãos dos gregos, entrando mais uma vez na história da Judeia
Após a conquista da Judeia, Ptolomeu I deporta parte da população para o Egito e os remanescentes são tratados com dureza. Com o tempo, Ptolomeu I afrouxa as rédeas e o seu domínio na região trará paz e prosperidade. Azeite, vinho, cereais e o bálsamo das plantações de Jericó eram os principais produtos de comércio, exclusivamente com o Egito. Sabemos disso, pelos diários de um funcionário do fisco ptolomaico chamado Zenão, que esteve na região entre 260 e 258 a.C. Durante o domínio de Ptolomeu, a Judeia esteve sob administração de um governador-civil pertecente à família dos tobíadas.
Os tobíadas fazem parte de uma linhagem sacerdotal que perpassa a história de Israel sem ser muito mencionada². O primeiro registro acerca de Tobías remonta a 849 a.C., na corte do rei Josafá. São encontrados registros sobre eles em Lakish, atual Jordânia, e no período de Esdras e Neemias. Os papiros de Elefantina, um século após Esdras e Neemias, registram a atuação de tobíadas a oeste do Rio Eufrates. Após o exílio, por conta de seus casamentos mistos, eles foram sempre deixados à margem de Jerusalém. Vivendo ao redor da cidade e constituindo uma poderosa unidade familiar. Logo, para que Ptolomeu I se servisse deles como instrumento de dominação e administração, não demorou muito. Ao que parece, os tobíadas tinham uma incrível capacidade de se amoldar às culturas dominantes, se perderem, contudo, sua característica judaica. Posteriormente, parte dos tobíadas foram alcançados pela mensagem do Evangelho e se espalharam, chegando à Armênia e Geórgia.
Sob a mão da dinastia ptolomaica, e a proteção dos tobíadas, a religião não sofreu grandes abalos. O Sumo Sacerdote tinha grande autonomia em sua atuação junto à população de Judá. A relação entre judeus e a dinastia era, de modo geral, boa, tanto na região da Palestina, onde não há registro de rebeliões, quanto com os da diáspora no Egito, onde muitos serviram como mercenários do exército ptolomaico.
Conclusão
Por pouco mais de um século a região esteve nas mãos da dinastia dos Ptolomeus. Nesse período temos a conclusão do Livro do Qoelet, ou o Eclesiastes. O contraste entre uma sociedade governada por uma burocracia hierárquica e gananciosa com a realidade do povo é uma das marcas do livro de sabedoria:
⁸Não se surpreenda se, em toda a terra, você vir os pobres sofrendo opressão pelos poderosos, e a justiça e o direito sendo pervertidos. Cada oficial é subordinado a uma autoridade superior, e a justiça se perde em meio à burocracia. ⁹Até mesmo o rei tira para si o máximo proveito da terra. ¹⁰Quem ama o dinheiro nunca terá o suficiente. Quem ama a riqueza nunca se satisfará com o que ganha. Não faz sentido viver desse modo! Eclesiastes 5.8–10
Tais reflexões inauguram um primeiro confronto entre o pensamento grego e as certezas tradicionais de Israel. No entanto, mais uma vez, a Palestina estava prestes a ser invadida novamente. Sem mudar de nação, mas de dinastia. Os Ptolomeus saem de cena, entram os selêucidas. É o que veremos na próxima aula.
¹MAZZINGHI, Luca. História de Israel: das origens ao período romano. Editora Vozes. Petrópolis, RJ. 2017
²GOLDSTEIN, Jack. La casa dinástica de los Tobíadas. Otra de las historias refundidas de nuestro pueblo. Revista Virtual Hashavua. Disponível em: http://www.hashavuabogota.com/articulos/527. Acesso em 23 de fevereiro de 21




