Café com Alecrim

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Panorama do Antigo Testamento

Um passeio pelos livros do A.T., suas histórias e contextos

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Giovanni Alecrim
mar 17, 2026
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O estudo do Antigo Testamento é relevante para o cristianismo? Por que precisamos estudar o Antigo Testamento? De fato, são perguntas importantes, ainda mais quando compreendemos que um testamento substituído por um Novo Testamento. Nesta perspectiva, o Antigo Testamento se transforma não mais em promessa, mas em compreensão de como a promessa se cumpre em Cristo Jesus. E é por isso que estudamos o Antigo Testamento, para compreender a história e o agir de Deus nela, nos conduzindo até Jesus. Em tempos onde o apego ao Antigo Testamento fundamenta heresias e distorções, justifica práticas antibíblicas e é ferramenta de manipulação de pessoas, precisamos de zelo e respeito ao ler os textos do Antigo Testamento.

Quando abrimos nossa Bíblia no Antigo Testamento, estamos abrindo um conjunto de textos que não pertence a nós mesmos. Eles foram escritos a milhares de anos atrás, algum deles fruto de uma tradição oral de séculos. Não podemos simplesmente abrir o texto do Antigo Testamento e ler como se, para nós, fora escrito, pois não o foi. Também não podemos ignorar a mensagem que carrega tanta sabedoria e orientação para a nossa vida.

Imagem gerada eletronicamente segundo comandos do autor utilizando o site Canva

Sendo um livro que não nos pertence, precisamos olhar para a sua história para compreender sua formação. Os autores do Novo Testamento fizeram referência ao Antigo Testamento, chamando-o de Escritura, Lei, Lei e Profetas, Moisés e Profetas e, por fim, Moisés, os Profetas e Salmos. Esta divisão é mantida e, já por volta de 130d.C., se encontra a sigla TNK para fazer referência ao Antigo Testamento. TNK que vem a ser Torá: os cinco primeiros livros da Bíblia. Nebiim: os profetas, incluso os históricos e Ketunim, escrituras restantes, como Salmos, Jó e outros.

No entanto, a Septuaginta faz uso de outra divisão, que é a mais difundida em nosso meio, por conta de ter sido usada pela Vulgata, tradução para o latim. Lei: os cinco primeiros livros. Históricos: Josué, Juízes, Rute, Samuel, Reis, Crônicas, Esdras, Neemias, Macabeus e outros. Poéticos: Salmos, Provérbios, Cantares, Jó, Eclesiastes e Proféticos: os doze, Isaías, Jeremias, Lamentações e Ezequiel

As Escrituras do Antigo Testamento surgem, primordialmente, em torno do Pentateuco. Os textos da Lei assumiram sua forma atual por volta do século V e IV a.C. Sabemos que os samaritanos, que se separaram da comunidade de Jerusalém aos poucos, e em definitivo na era helenística, reconheciam e mantinham somente a Torá como autoridade. É em torno deste núcleo que o Antigo Testamento vai ganhando forma. Aos escritos da Torá são acrescidos os relatos proféticos, como necessidade de contar a história dos reis e o trabalho dos profetas. Ao final, os livros de cânticos e salmos, bem como os de sabedoria, são acrescentados, finalizando assim o cânon. Quando? Não o sabemos. Precisamos compreender que a construção histórica do que conhecemos como Antigo Testamento foi um processo não linear, cheio de influências de diversas comunidades judaicas e, posteriormente, dos cristãos. Assim, compreendemos que o Antigo Testamento contendo os livros da lista da Confissão de Fé de Westminster nos é legado como fruto do trabalho de pesquisa e estudo dos cristãos, de maneira particular os Reformados.

O que você encontrará nesta série de artigos são resumos feitos a partir do livro: Panorama do Antigo Testamento: História - Contexto - Teologia, de Martin Rösel, da Editora Sinodal.

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